Minha família sempre me deu muito prazer, muitas alegrias. Além disso, trabalho naquilo que gosto, gasto minhas horas dentro do meu trabalho com muito prazer”. A frase que para muitos pode parecer um mero clichê e lançada a esmo em situações corriqueiras, neste caso trata-se de uma justificativa real. Foi a reposta dada por Cláudio Brum quando perguntado qual o combustível para uma longa e bem-sucedida carreira. A revista Industrial Heating teve o prazer de conversar com este grande profissional do tratamento térmico nacional, que muito contribuiu para o desenvolvimento desta arte. Para a volta da coluna Pioneiros, fazemos questão de deixar registrada esta singela homenagem.

Cláudio Brum nasceu em Pelotas (RS) em 1953 e formou-se Engenheiro Elétrico pelo Mackenzie, fazendo extensão em Administração Industrial. Filho de Walter Rodrigues da Silva e Eledi Brum da Silva, foi criado no interior do Rio Grande do Sul, entre Porto Alegre e Pelotas em uma família de oito irmãos (exatos quatro homens e quatro mulheres). Como o pai era funcionário do DAER (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem), onde era conhecido como Sr. Capitão, a família tinha uma rotina errante, acompanhando a evolução da estrada.

Quando atingiu a idade para cursar o ensino ginasial, foi estudar na Escola Técnica de Pelotas (ETP), onde ingressou em 1965 no Ginásio Industrial, vindo a se formar em 1972 em Eletrotécnica (nível técnico). Ressalta que a mãe, Eledi, foi sempre a maior incentivadora para que os filhos estudassem. “Como se diz lá no Sul: gastou a sola dos sapatos indo atrás das oportunidades para permitir que estudássemos”, lembrou Brum.

Confessa que, embora estivesse se formando em Eletrotécnica, ainda não sabia em qual ramo queria trabalhar. As áreas do momento eram telecomunicações, hidroelétricas, metrôs, enfim, as grandes obras da engenharia. Nessa época, 1972, seu irmão mais velho, Carlos Amandio, que já estava morando em São Paulo, saindo da Brasimet para trabalhar na Fornos Industriais Pyro, o convidou para também vir ao estado paulista, prometendo que lhe arrumaria uma colocação na empresa e, assim, poderia estudar Engenharia Elétrica. Como na época, a família não tinha condições de ajudá-lo a cursar esta faculdade no Sul, o convite foi tentador e prontamente aceito. Admite que quando começou a trabalhar na Pyro, mal sabia o que era um forno. Aconselhado pelo irmão, trouxe os projetos que desenvolveu na escola para apresentar na entrevista com o gerente à época, Antonio de Primo, que foi seu primeiro chefe e com quem manteve amizade pelo resto da vida.

Começa, então, sua carreira profissional já na área de fornos em janeiro de 1973, como Desenhista Copista Elétrico. No mesmo ano, presta o vestibular para o curso de Engenharia Elétrica no Mackenzie, onde ingressa em 1974. Fica até 1975 na Pyro, onde também exerceu as funções de Desenhista e, posteriormente, Desenhista Projetista. Neste ano vai para a Brasimet de maneira até um pouco curiosa.

Ainda em 1975, cursando a faculdade, preencheu uma ficha de emprego na agência Snelling e, coincidentemente, havia uma vaga para Projetista Elétrico na Brasimet. Como queria era trabalhar na área de engenharia das grandes obras públicas, acabou só realizando a entrevista por insistência da agência. Lá, foi entrevistado pelo senhor Rolf Seiffert que já conhecia seu irmão Carlos e insistiu para que trabalhasse com eles. Assim, foi para a Brasimet como Projetista Elétrico.

No entanto, seis meses depois se transferiu, a convite de um amigo, para a Ofenbau Fornos Industriais Ltda, que estava iniciando na área de fornos. Naquela altura, com 22 anos de idade, diz que essa mudança foi visando uma melhoria financeira, visto que precisava pagar a faculdade. Atuou como Supervisor de Projetos Elétricos até o final de 1976, quando recebeu novo convite para retornar à Pyro, onde foi também foi exercer tal função. Em 1977, se formou em Engenharia Elétrica e passou a exercer a função de Engenheiro de Projetos Elétricos.

Neste mesmo ano se casa com Vera Lúcia, cuja estável união gerou um casal de filhos. Primeiro, uma menina, Kelly Brum e, então, Klauber Julles Brum. No início de 1979, foi transferido de Santo Amaro para a unidade de Carapicuíba, também em São Paulo, para a divisão Equipamentos Industriais Pyro. Permaneceu como Superintendente de Projetos e Planejamento até 1980.

Em maio de 1980, recebeu convite para trabalhar no Grupo Combustol Metalpó, por indicação de José Maria Bigas. Após ponderar sobre o assunto e motivado pelos desafios e oportunidades que o novo ambiente de trabalho proporcionaria, se transferiu para a Combustol em 12 de maio de 1980, data precisa que nos contou nunca ter esquecido.

Nesta nova etapa, iniciou o trabalho como Engenheiro de Assistência Técnica, permanecendo no cargo até fins de 1988, quando devido a algumas mudanças internas da empresa, passa a Gerente de Engenharia, assumindo todos os setores de engenharia da empresa. Permaneceu nesta função até o final do ano seguinte, quando passou para a área industrial como Gerente Industrial da Divisão de Fornos e Equipamentos da Combustol.

Em meados de 1994, assume a Gerência Comercial de Fornos e Metalurgia, cargo que exerceu até 1997, quando uma má situação de mercado atingiu a firma, obrigando-a a reduzir seu tamanho. Foi convidado, então, a fazer um contrato como Consultor Técnico Comercial e representante da Combustol, atuando como prestador de serviços.

Nesse meio tempo, em 1996, fundou, em sociedade, uma empresa de galvanoplastia, a SolMari Tratamento de Superfície Ltda, onde exerceu a atividade de sócio-proprietário. Na SolMari, teve ajuda familiar na condução dos negócios, com os filhos fazendo um elogioso trabalho. Enquanto Kelly cuidava da parte administrativa, Klauber encarregava-se da frente operacional. Permaneceu como sócio na empresa até 2012, quando a vendeu em uma oportunidade de mercado.

Em 2013, a Combustol lhe fez convite para ser novamente funcionário da empresa, uma vez que, desde 1997 se encontrava como prestador de serviços. Como funcionário, manteve-se na mesma função de Consultor até setembro de 2013, quando foi convidado a assumir a Gerência Técnica e Comercial do Tratamento Técnico, em São Paulo, onde permaneceu até seu afastamento.

Uma de suas maiores satisfações no âmbito profissional foi o reconhecimento conquistado ao longo dos anos na empresa. Ilustra isso com a concessão para que fizesse a entrega do Prêmio Paulo Peçanha da ABM de 2010.

“Fazer a entrega do Prêmio representando a empresa me deixou muito orgulhoso. O melhor presente que poderia ter ganhado foi representar a empresa, uma coisa que sempre foi feita pela alta direção”, recordava com satisfação.

Quando o assunto era o futuro, tinha como diminuir o ritmo e aproveitar mais a família. “Não tenho a ideia de parar de trabalhar, mas sim trabalhar menos e aproveitar mais o tempo com a esposa, família, viajar mais. Pela profissão, sempre viajei bastante, mas precisamos ser menos egoístas e pensar na família, levá-los para viajar também”, chegou a dizer.

A família, citada no primeiro parágrafo, sempre foi um grande motivo de orgulho e alegria não apenas por parte do pai Cláudio, mas também ao exercer seu papel de avô. A família cresceu e com com netos por parte de Kelly e de Klauber. A vida lhe presenteou com filhos e netos, todos muito apegados a ele. Uma curiosidade confidenciada à Industrial Heating é que uma de suas netinha é a única entre todos da família que o chamava por um apelido de infância que apenas os familiares do Rio Grande do Sul tinham o hábito de chamá-lo: o vô Dico.

Cláudio fazia questão de ressaltar a harmonia que permeava tanto o ambiente familiar quanto o profissional ao justificar a longevidade na carreira e a vontade de continuar construindo-a. “Tenho a família unida tanto por parte da minha esposa quanto da minha, filhos que nunca me deram nenhum tipo de trabalho. No lado profissional, apesar de sempre ter um problema ou outro, faço-o com prazer, junto de uma equipe muito boa”, orgulhava-se.

Após quarenta e tantos anos atuando na área de fornos (a maior parte no Grupo Combustol Metalpó), inegavelmente Brum contribuiu de maneira imensurável com o setor. Pode ter partido desta vida, mas na memória de todos que o conheceram se mantém vivo como um exemplo de pessoa e profissional.