O Gás Liquefeito de Petróleo é conhecido por sua sigla convencional GLP ou também Gás LP e pela limitada expressão popular “gás de cozinha”. Na realidade, embora haja uma expressiva participação em fogões para a cocção de alimentos, a abrangência do GLP vai muito além desta restrita expressão. São inúmeras suas aplicações na indústria, sendo mais conhecidas aquelas que o utilizam como combustível e gás de proteção:

• Fonte de calor convencional, para aquecedores de fluidos e de ambientes, geradores de ar quente, substituição de eletrotermia e aplicações das mais diversas, em todos os ramos de atividades industriais e em fornos como aquecimento, conformação e fusão de metais e vidros, tratamentos térmicos e processos de secagem;

• Fonte de calor de alta precisão, para aquecimento controlado e cura de estruturas refratárias como fornos, altos-fornos e coquerias;

• Fonte de frio, através dos ciclos de refrigeração por absorção com possibilidade de recuperação de calor;

• Fonte de trabalho mecânico, como combustível de motores a explosão e turbinas, existindo algumas limitações a este uso no Brasil;

• Produção de atmosferas protetoras endotérmicas e exotérmicas;

• Meio de esterilização térmica de embalagens, aviários e outros criadouros por flameamento na queima com ar;

• Enriquecimento e estabilização de gases de baixo poder calorífico;

• Matéria-prima para produção de gás natural sintético, hidrogênio, dióxido de carbono e monóxido de carbono;

• Deposição de fuligem sobre superfícies para fins lubrificantes e desmoldantes em processos de médias e altas temperaturas a partir de combustão subestequiométrica;

• Diversas aplicações através de maçaricos, como oxi-corte de metais ferrosos, soldagem e brazagem de metais não ferrosos, escarfagem, flameamento de granito e metalização de superfícies por chama (flame spray);

• Gás padrão para ensaios de certificação (etiquetagem) de fogões e aquecedores;

• E geração de chamas para controle de pragas na agricultura, chamuscagem de tecidos, treinamentos de combate a incêndio e ensaios/certificação de componentes sob fogo.

Porém, o fato de ser um gás liquefeito enquanto pressurizado e entrar em ebulição, quando descomprimido, possibilita aplicações que o destacam dos demais gases combustíveis convencionais, como:

• Gás refrigerante em ciclos de refrigeração por compressão;

• Fonte de pressão como propelente em aerossóis, exigindo sua prévia desodorização e possibilitando adequar a composição para obter a combinação pressão/temperatura desejada;

• E agente de expansão para produção de espumas.

Além disso, alguns componentes dos gases liquefeitos do petróleo (propileno, butilenos e butadieno) são ainda utilizados pelas indústrias de 2ª geração como matéria-prima para gerar uma série de produtos químicos para as indústrias de 3ª e 4ª gerações.

O principal atributo do GLP é manter-se no estado líquido na temperatura ambiente quando submetido a pressões moderadas, facilitando a armazenagem, o manuseio, a logística e a comercialização. Assim, sua disponibilidade abrange todos os municípios do território nacional[5], seja por dutos e/ou embarcações, transporte ferroviário e rodoviário até sua entrega ao consumidor final.

A Fig. 1 apresenta os valores médios das principais características do GLP nas condições indicadas. A Fig. 2 apresenta algumas propriedades notáveis das principais frações componentes do GLP nas condições indicadas, mostrando as amplas variações, possibilidades e restrições quanto aos usos de suas características físicas: como gás refrigerante em ciclos de compressão e transporte/ armazenagem no estado refrigerado em tanques não pressurizados.

Concluindo, as propriedades do GLP possibilitam inúmeras alternativas para armazenagem, transporte e aplicação deste versátil gás. Suas condições de queima limpa com baixo índice de excesso de ar de combustão, além das possibilidades de aplicações em processos diretos de transmissão de calor, proporcionam resultados de elevada eficiência sob os pontos de vista térmico e ambiental sendo, portanto, mundialmente considerado combustível ambientalmente amigável por seu baixo nível de emissões.

 

Referências

  1. AHLBERG, K., “AGA Gas Handbook”, AGA AB, Lidingö, Sweden, 1985;
  2. JENKIN, D.B., “The Properties of Lique fied Petroleum Gases”, O.P.D. Report No. 192/62M, Shell International, Lon don, 1962;
  3. L’AIR LIQUIDE, “Gas Encyclopaedia”, Elsevier Science B.V., Amsterdam, 2002;
  4. MME, Ministério de Minas e Energia, “Balanço Energético Nacional“ edição de 2017 - ano base 2016;
  5. SINDIGÁS, acesso ao site www.sindigas.org.br em 19/01/2018.